terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amor

Amor mesmo é quando ele corre, na chuva, para vídeo locadora faltando apenas cinco minutos para ela fechar.
E volta sorrindo contente por ter conseguido.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ele

É cedo. A janela do quarto não fecha direito e pela pequena fresta entra a luz de um dia que chega.
O despertador toca e ele se mexe, como quem não quer levantar, tentando afastar o dia, ainda com os olhos fechados.
Não adianta ignorar. Ele levanta silencioso, toma banho (ouço o som do chuveiro como uma chuva ao longe), se arruma, me dá um beijo de leve nos lábios (eu faço de conta que ainda estou no mundo dos sonhos), sai do quarto, da casa.
E ele deixa o pijama como sempre no colchão.
Sem me mover muito, puxo o pijama, visto e afasto os fantasmas da solidão de quando ele vai embora.
Dentro daquele pijama azul, me conforto, luto com os fantasmas que assombram o quarto quando ele não está, sonho mais um pouco enquanto o meu dia não amanhece.
Dessa vez o meu despertador toca e o evito.
Levanto atrasada como todos os dias.
O dia passa todo longo e demorado.
Ao abrir a porta de casa a noite, lá está.  Ele, o cheiro, o pijama azul, o amor.
Me deito ao lado dele e assistimos televisão. Me aconchego no pijama azul e sonho mesmo acordada.