sábado, 15 de outubro de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Crônica de um hospital
Mãe e filha na espera no hospital público.
- Mãe, que que a gente tá fazendo aqui - sussurra a menina de uns 8 anos.
- A gente veio pro médico examinar você. Só Jesus!
A mãe se abana o tempo todo.
- Mas eu tô boa, mãe! - Diz a menina indignada!
- Ah, tá, é?!
- Tô! Tomei o chazinho!
- Tômo é?!
- Hum hum.
Neste momento a menina tá tão grudada na cadeira e os olhos olhando diretamente para os olhos da mãe. O medo dela é contagiante.
- Você tá com medo da injeção, né, filha?
- Hum hum.
- Mas não é nada não. Você não vai tomar injeção. O médico só vai tirar sangue daqui (indica o braço da pequena) e depois dá uma picadinha assim, ó! (TUM).. Não dói nada!
A menina então insisti muito assustada:
- Eu tô bem!!!
- Eu também! Só Jesus na minha vida, só Jesus!
E a mãe se abana de calor.
- Mãe, que que a gente tá fazendo aqui - sussurra a menina de uns 8 anos.
- A gente veio pro médico examinar você. Só Jesus!
A mãe se abana o tempo todo.
- Mas eu tô boa, mãe! - Diz a menina indignada!
- Ah, tá, é?!
- Tô! Tomei o chazinho!
- Tômo é?!
- Hum hum.
Neste momento a menina tá tão grudada na cadeira e os olhos olhando diretamente para os olhos da mãe. O medo dela é contagiante.
- Você tá com medo da injeção, né, filha?
- Hum hum.
- Mas não é nada não. Você não vai tomar injeção. O médico só vai tirar sangue daqui (indica o braço da pequena) e depois dá uma picadinha assim, ó! (TUM).. Não dói nada!
A menina então insisti muito assustada:
- Eu tô bem!!!
- Eu também! Só Jesus na minha vida, só Jesus!
E a mãe se abana de calor.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
caminhos
A caneta presa entre os dedos, escrevendo sem parar nas reuniões, no carro em movimento. Era tanta coisa para absorver, aprender, lembrar.
O carro se movia em baixo de um sol de final de tarde, céu azul. A mão continuava a escrever como há tempos não escrevia, a estrada era perigosa, os deslocamentos eram longos, naquele momento foi tempo de compartilhar histórias e sonhos profundos.
Escrevi no primeiro dia de viagem, na folha do caderno em branco: Viagem de vencer limites, aprender a conhecer coisas novas, saber apreciar os erres e os esses do Norte, acordar cada dia e perceber que é possível vencer os desafios.
E foi isso mesmo. Voltei amadurecida, mudada. Afinal, não tem como não, somos como um rio, passamos e vamos levando tudo o que a água alcança, galho seco, folhas. Eu recolhi tudo o que podia nas minhas águas mais profundas e cresci.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Mind games
Dilacerado o corpo nada é.
No passo sem pés.
Na vida sem a respiração.
No amor sem o toque.
No ódio sem a palavra
Ou na palavra vã.
Dilaceram a mente e o afeto que falta,
continua faltando.
No passo sem pés.
Na vida sem a respiração.
No amor sem o toque.
No ódio sem a palavra
Ou na palavra vã.
Dilaceram a mente e o afeto que falta,
continua faltando.
terça-feira, 12 de abril de 2011
sonho sonhos
Fecho os olhos. Tô na frente da praia, coloco a canga na areia, meus pés estão descalços. Só tenho um biquini no corpo. O vento me embala. Sou pura, sou eu, apenas naquele momento, sentindo a vida em cada poro. O sol me namora. Eu retribuo com um sorriso. Ele sabe que eu amo ele. Abro os olhos. Tô no ônibus a caminho do trabalho.
O ônibus vai lotado, como sempre. Eu estou sentada, já de olhos abertos, sem sonho, sem praia. Reparo nas pessoas que ali estão. Cada pessoa possui uma história, para cada uma delas algo diferente aconteceu. Em cada uma das imaginações ali na minha frente, correm muitos mundos.
Na minha volta existem várias pessoas boas de se notar. Algumas pessoas estão de pé, com cara de enfado, provavelmente mal dizendo o dia que ainda está começando em suas cabeças. Outras pessoas, grande maioria, está com fones de ouvido; filme com trilha sonora. A vida é um filme, sempre. O corpo balança em pequenos movimentos, algumas bocas se mexem, letras de música sem som.
Mas de todas essas as que eu mais me interesso são as pessoas que estão dentro do ônibus de óculos escuros. O que será que passa por trás daquelas lentes escuras? Que mundo percorre aquelas poucas cores?
Tenho vontade de chegar perto do ouvido de um homem e sussurar baixinho a pergunta. Quero saber se a imaginação dele também está na praia. Estamos juntos?
Ele é alto, um pouco magricelo, tem uma pinta perto do canto do lábio. Deve ser um artista. Ele viaja comigo para praia. Meus pés estão descalços. Só tenho um biquini no corpo. O vento me embala. Sou pura, sou eu, apenas naquele momento, sentindo a vida em cada poro. O sol me namora. Eu retribuo com um sorriso. Ele sabe que eu amo ele. Ele me chama do meu devaneio, me avisa que está indo para o mar. Quer vir? Não, obrigada, estou apreciando o sol. Eu quero mesmo é ficar aqui observando ele de longe, como se por um momento ele não me pertencesse. Pertence?
Lá vai ele, alto, é difícil ve-lo. O sol não deixa. O sol tem ciúme desse meu amor.
O mar carrega ele, brinca com ele, o esconde, me dá sustos quando ele demora demais em um mergulho.
Ele volta, pingando, senta do meu lado, me olha ternamente. Me sorri. Ele sabe que eu amo ele. Eu sei que ele me ama. Sempre soube. Ele fotógrafo, tira foto desse momento. Eu com meu sorriso bobo de amor, de felicidade enorme. Na foto as prinicipais cores, as que mais gosto; as cores do fim da tarde na praia.
Abro os olhos, o moço da pinta no canto do lábio já desceu em algum ponto que passou. Ainda não cheguei no trabalho. Ainda tenho mais uns minutos pra sonhar,mesmo acordada. Vejo uma menina se aproximar, ela tem uma flor no cabelo...
segunda-feira, 14 de março de 2011
O que dizem do treze
Minhas primeiras recordações do número 13 não derivam de inúmeras aulas de matemática, nem de quantidade de presentes ou beijos, nem da idade que já tive. A primeira recordação que tenho desse número e acredito que muita gente também o tenha - é o número treze como sendo o número do azar.
Mas assim como a matemática nunca se entendeu direito comigo e nem eu com ela, o número treze nunca se mostrou como o número do azar pra mim. Pelo contrário.
Em 13 de março de 2010, nasceu Jorge. Um pequeno Grão que trouxe um mundo de felicidade.
E esse tal de Jorge é um bebê que já sabe acenar tchauzinhos, sabe sorrir quando o chamam de lindo e já descobriu quase que o mundo inteiro do meu quarto pela boca. Afinal, não houve uma conta de colar que não fosse saboreada por ele.
E recebê-lo em casa é como um pequeno furacão. Vem e mexe na nossa vida, mostra que a gente já tá ficando pra titia, que o tempo passa a cada centímetro que ele cresce. Revira tudo; brinquedos, sapatos, tudo que ele encontra pelo caminho, sempre provando e na maioria das vezes aprovando tudo também, já que volta naquilo e prova de novo.
Que o mundo da realidade e da imaginação sempre encante Jorge. Que ele saiba saborear o mundo com os olhos, com as palavras, com os cheiros e o tato. Que ele saiba viver, sentir e amar.
E que mesmo que ele ainda não entenda, que ele continue percebendo que amor cresce junto. E sempre.
Mas assim como a matemática nunca se entendeu direito comigo e nem eu com ela, o número treze nunca se mostrou como o número do azar pra mim. Pelo contrário.
Em 13 de março de 2010, nasceu Jorge. Um pequeno Grão que trouxe um mundo de felicidade.
E esse tal de Jorge é um bebê que já sabe acenar tchauzinhos, sabe sorrir quando o chamam de lindo e já descobriu quase que o mundo inteiro do meu quarto pela boca. Afinal, não houve uma conta de colar que não fosse saboreada por ele.
E recebê-lo em casa é como um pequeno furacão. Vem e mexe na nossa vida, mostra que a gente já tá ficando pra titia, que o tempo passa a cada centímetro que ele cresce. Revira tudo; brinquedos, sapatos, tudo que ele encontra pelo caminho, sempre provando e na maioria das vezes aprovando tudo também, já que volta naquilo e prova de novo.
Que o mundo da realidade e da imaginação sempre encante Jorge. Que ele saiba saborear o mundo com os olhos, com as palavras, com os cheiros e o tato. Que ele saiba viver, sentir e amar.
E que mesmo que ele ainda não entenda, que ele continue percebendo que amor cresce junto. E sempre.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Corre o tempo
O tempo cerca tudo.
O tempo passa para todos.
O tempo encurta.
O tempo esquece.
O tempo acentua o amor e a saudade.
O tempo e a existência.
O tempo faz a existência.
O tempo é a minha memória.
O tempo sou eu.
(texto escrito em 2006)
O tempo passa para todos.
O tempo encurta.
O tempo esquece.
O tempo acentua o amor e a saudade.
O tempo e a existência.
O tempo faz a existência.
O tempo é a minha memória.
O tempo sou eu.
(texto escrito em 2006)
Photos
Fotografias,
fragmentos de um momento.
Momentos guardados ou estampados.
Caixas, porta retratos,
fundo de armário,
colada na parede.
Em preto e branco
ou colorida,
saudade, carinho como legenda.
Apagadas, rasgadas,
escondidas.
Todas guardam um passado,
O passado.
(texto escrito em 2004 para uma atividade do colégio.)
fragmentos de um momento.
Momentos guardados ou estampados.
Caixas, porta retratos,
fundo de armário,
colada na parede.
Em preto e branco
ou colorida,
saudade, carinho como legenda.
Apagadas, rasgadas,
escondidas.
Todas guardam um passado,
O passado.
(texto escrito em 2004 para uma atividade do colégio.)
quarta-feira, 9 de março de 2011
Assanha, avermelha
Faz manha, rebola, rola na cama. Me beija, me deixa louco de tesão.
Se queixa, se deixa perfeita para mim no colchão.
Na pele rósea da paixão, no suor da nuca, no cabelo despenteado no travesseiro, ela é toda minha e eu sou todo dela.
Liga o rádio, faz manha, rebola,me beija e como sempre me deixa.
Mas, sempre volta para casa.
E se queixa e me ama do avesso, por inteiro e me deixa ser levado pelo desejo. Com um só arranhão.
Se queixa, se deixa perfeita para mim no colchão.
Na pele rósea da paixão, no suor da nuca, no cabelo despenteado no travesseiro, ela é toda minha e eu sou todo dela.
Liga o rádio, faz manha, rebola,me beija e como sempre me deixa.
Mas, sempre volta para casa.
E se queixa e me ama do avesso, por inteiro e me deixa ser levado pelo desejo. Com um só arranhão.
Conversa
Carmen entrou. Já dava para antecipar o que vinha. O girar da chave na porta, tão devagar, tão sem vida. Apareceu pela pequena fresta que abriu para entrar. Tão sem cor, tão triste.
- Ele foi embora.
- Como assim, Carmen? - disse eu, nada espantada.
- Foi. De uma hora para outra. Foi.
- Foi? É o melhor que podia ter acontecido. - Não me aguentei, tive que falar a frase de efeito que todo mundo fala. - Você vai ver como sua vida vai melhorar e você vai encontrar alguém muito melhor.
Ela então deu a resposta, concordou comigo com uma tentativa de sorriso e balançou de leve a cabeça.
(Uma pausa na conversa).
- Foi tão inesperado. - Continuou Carmen. - Ele simplesmente foi.
- ...
- Eu acho que ele foi atrás dela.
- Atrás de outra mulher? - Perguntei já indignada, como toda mulher se sente ao saber de uma traição.
- Não, Dona. - Carmen pareceu perder ainda mais um pouco da vida que havia sobrado. - Ele foi atrás da felicidade.
- Ele foi embora.
- Como assim, Carmen? - disse eu, nada espantada.
- Foi. De uma hora para outra. Foi.
- Foi? É o melhor que podia ter acontecido. - Não me aguentei, tive que falar a frase de efeito que todo mundo fala. - Você vai ver como sua vida vai melhorar e você vai encontrar alguém muito melhor.
Ela então deu a resposta, concordou comigo com uma tentativa de sorriso e balançou de leve a cabeça.
(Uma pausa na conversa).
- Foi tão inesperado. - Continuou Carmen. - Ele simplesmente foi.
- ...
- Eu acho que ele foi atrás dela.
- Atrás de outra mulher? - Perguntei já indignada, como toda mulher se sente ao saber de uma traição.
- Não, Dona. - Carmen pareceu perder ainda mais um pouco da vida que havia sobrado. - Ele foi atrás da felicidade.
Efeito cebola
Toda vez que ela ia ao psicólogo era a mesma sensação. Sentia como se a cada vez fosse removido delicadamente algo dela.
Primeiro retiraram as suas recordações mais instantâneas - aquilo que acontecia no seu dia-a-dia. Depois a cada conversa era uma parte mais profunda: uma saudade, uma violência, um grito seco, uma boa recordação.
E ela lá. Esperando.Sentada.Esperando. Falando.Esperando. Em silêncio. Esperando a próxima parte a ser descascada. Tal qual uma cebola. Quanto mais profunda a parte a ser cortada, maiores são as lágrimas.
Primeiro retiraram as suas recordações mais instantâneas - aquilo que acontecia no seu dia-a-dia. Depois a cada conversa era uma parte mais profunda: uma saudade, uma violência, um grito seco, uma boa recordação.
E ela lá. Esperando.Sentada.Esperando. Falando.Esperando. Em silêncio. Esperando a próxima parte a ser descascada. Tal qual uma cebola. Quanto mais profunda a parte a ser cortada, maiores são as lágrimas.
terça-feira, 8 de março de 2011
O começo
Esse é o começo de uma nova história. Aqui registro um novo tipo de experiência. A experiência de escrever o mundo pelos meus olhos.
Para poder escrever o que escrevo agora , quebro inúmeras barreiras.
Bem vinda a palavra. Aceita tomar um chá comigo?
Para poder escrever o que escrevo agora , quebro inúmeras barreiras.
Bem vinda a palavra. Aceita tomar um chá comigo?
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