quarta-feira, 9 de março de 2011

Conversa

Carmen entrou. Já dava para antecipar o que vinha. O girar da chave na porta, tão devagar, tão sem vida. Apareceu pela pequena fresta que abriu para entrar. Tão sem cor, tão triste.

- Ele foi embora.
- Como assim, Carmen? - disse eu, nada espantada.
- Foi. De uma hora para outra. Foi.
- Foi? É o melhor que podia ter acontecido. - Não me aguentei, tive que falar a frase de efeito que todo mundo fala. - Você vai ver como sua vida vai melhorar e você vai encontrar alguém muito melhor.
Ela então deu a resposta, concordou comigo com uma tentativa de sorriso e balançou de leve a cabeça.
(Uma pausa na conversa). 
- Foi tão inesperado. - Continuou Carmen. - Ele simplesmente foi.
- ...
- Eu acho que ele foi atrás dela.
- Atrás de outra mulher? - Perguntei já indignada, como toda mulher se sente ao saber de uma traição.
- Não, Dona. - Carmen pareceu perder ainda mais um pouco da vida que havia sobrado. - Ele foi atrás da felicidade.

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