terça-feira, 12 de abril de 2011

sonho sonhos

Fecho os olhos. Tô na frente da praia, coloco a canga na areia, meus pés estão descalços. Só tenho um biquini no corpo. O vento me embala. Sou pura, sou eu, apenas naquele momento, sentindo a vida em cada poro. O sol me namora. Eu retribuo com um sorriso. Ele sabe que eu amo ele. Abro os olhos. Tô no ônibus a caminho do trabalho.
O ônibus vai lotado, como sempre. Eu estou sentada, já de olhos abertos, sem sonho, sem praia. Reparo nas pessoas que ali estão. Cada pessoa possui uma história, para cada uma delas algo diferente aconteceu. Em cada uma das imaginações ali na minha frente, correm muitos mundos.
Na minha volta existem várias pessoas boas de se notar. Algumas pessoas estão de pé, com cara de enfado, provavelmente mal dizendo o dia que ainda está começando em suas cabeças. Outras pessoas, grande maioria, está com fones de ouvido; filme com trilha sonora. A vida é um filme, sempre. O corpo balança em pequenos movimentos, algumas bocas se mexem, letras de música sem som.
Mas de todas essas as que eu mais me interesso são as pessoas que estão dentro do ônibus de óculos escuros. O que será que passa por trás daquelas lentes escuras? Que mundo percorre aquelas poucas cores?
Tenho vontade de chegar perto do ouvido de um homem e sussurar baixinho a pergunta. Quero saber se a imaginação dele também está na praia. Estamos juntos?
Ele é alto, um pouco magricelo, tem uma pinta perto do canto do lábio. Deve ser um artista. Ele viaja comigo para praia. Meus pés estão descalços. Só tenho um biquini no corpo. O vento me embala. Sou pura, sou eu, apenas naquele momento, sentindo a vida em cada poro. O sol me namora. Eu retribuo com um sorriso. Ele sabe que eu amo ele. Ele me chama do meu devaneio, me avisa que está indo para o mar. Quer vir? Não, obrigada, estou apreciando o sol. Eu quero mesmo é ficar aqui observando ele de longe, como se por um momento ele não me pertencesse. Pertence?
Lá vai ele, alto, é difícil ve-lo. O sol não deixa. O sol tem ciúme desse meu amor.
O mar carrega ele, brinca com ele, o esconde, me dá sustos quando ele demora demais em um mergulho.
Ele volta, pingando, senta do meu lado, me olha ternamente. Me sorri. Ele sabe que eu amo ele. Eu sei que ele me ama. Sempre soube. Ele fotógrafo, tira foto desse momento. Eu com meu sorriso bobo de amor, de felicidade enorme. Na foto as prinicipais cores, as que mais gosto; as cores do fim da tarde na praia.
Abro os olhos, o moço da pinta no canto do lábio já desceu em algum ponto que passou. Ainda não cheguei no trabalho. Ainda tenho mais uns minutos pra sonhar,mesmo acordada. Vejo uma menina se aproximar, ela tem uma flor no cabelo...

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